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“O Acre não será um mero consumidor da energia vinda de Rondônia”

Estado entra na discussão sobre o Projeto Madeira; diretoria da Furnas Centrais Elétricas apresenta projeto a Jorge Viana

Assecom


A afirmação do governador Jorge Viana segundo a qual “o Acre não será um mero consumidor de energia elétrica vinda de Rondônia”, feita durante o encontro com a diretoria da Furnas Centrais Elétricas, dá o tom da importância do Acre nas discussões sobre energia como um insumo estratégico para o fortalecimento da economia regional. Viana fez uma detalhada explicação do papel do Estado na definição de políticas para o setor.

A proposta acreana é formar um “consórcio de geração de energia” para a região. Dessa forma, o Governo do Acre entende que todas as decisões seriam tomadas de forma conjunta. “Sugerimos o consórcio não apenas pelo fator ICMS envolvido, mas porque o Acre quer participar de todo o processo que considera estratégico para o seu desenvolvimento”, afirmou o governador.

De acordo com o diretor-presidente da Furnas Centrais Elétricas, José Pedro Rodrigues de Oliveira, os Estudos das Potencialidades Energéticas do Rio Madeira demonstram que a hidrelétrica do Madeira não está sendo construída “de forma isolada”. Para Oliveira, ela integra um conjunto de outros investimentos feitos pelo Governo Federal nas regiões centro-oeste e norte. “Eu quero fazer uma parceria de curto prazo entre Acre e Rondônia”, disse Oliveira. Para justificar a necessidade da construção da hidrelétrica, o presidente afirmou que “quem quer fazer a hidrelétrica do Madeira é a vontade de o Brasil crescer porque o programa encontra a energia onde quer que ela esteja”.

Os estudos feitos pelos técnicos de Furnas apontam que a construção da hidrelétrica gere entre 30 e 40 mil empregos diretos. Isso, segundo o presidente da companhia, trará um desenvolvimento ainda não visto na região. Nenhuma referência a datas foi feita, mas os técnicos afirmam que todas as análises feitas têm um prazo estimado de 10 a 15 anos. “A importância das decisões que um projeto desse exige não é coisa para ser concretizada de forma imediata”, justificou. A capacidade de geração de energia da futura usina é de 7,4 mil Mwatts.

Energia como insumo estratégico

A reunião de ontem com a diretoria da Furnas Centrais Elétricas mostra a inserção do Acre nas discussões estratégicas para o crescimento do país. Discutir energia, no atual contexto nacional, é estratégico. A ministra das Minas e Energia, Dilma Roussef, orientou o diretor-presidente de Furnas Centrais Elétricas, José Pedro Rodrigues de Oliveira, para que “o Acre fosse parte fundamental nas discussões” (sobre energia). “Tenho conversado com a ministra do Meio Ambiente Marina Silva e com a própria ministra Dilma e tenho sentido que as duas estão em sintonia e isso é bom não só para o Acre, mas para toda região”, disse o governador.

Viana disse ainda que não deve haver uma polarização nas discussões entre “quem ganha e quem perde” ou entre “preservacionismo e desenvolvimentismo”. “Se é para fazer algo de dimensões regionais, então o Acre quer participar para contribuir de forma construtiva, em uma relação em que todos sejam beneficiados e partilhem dos mesmos problemas”.

Alternativas - O contexto em que está inserido o Acre atualmente no setor de energia é estratégico. Todo o cuidado na formatação das políticas públicas para o setor ainda é pouco porque as decisões de hoje terão um reflexo estrutural na economia do Estado nos anos futuros. São várias as matrizes que o Estado pode utilizar. O uso da biomassa (com o Biodiesel), óleo diesel (o governador assegurou que o atual parque termelétrico será mantido), energia solar, gás natural (da região de Urucum, no Amazonas) e hidrelétrica.

Em todas, o Acre tem grandes possibilidades de exploração. A restrição ao uso do gás natural se faz pela limitação do fornecimento. “Teremos gás por 20 ou 25 anos. E depois, voltaremos para o óleo diesel”, perguntou Viana. O governador não negou a importância do gás como uma “alternativa”, mas confia, definitivamente, na energia hidrelétrica como uma possibilidade real de geração de energia em grande escala e por um período mais prolongado.

A energia solar, o Acre já vem utilizando e com um sucesso que fez o Estado ser referência para o país. O biodiesel está em fase de implantação. Uma indústria para a fabricação de biodiesel será aberta no primeiro semestre do próximo ano. Para uma demanda de Estados com possibilidade de crescimento da instalação de parques industriais, a energia de fonte hidráulica é a mais viável.

Impacto social - No Acre, os rios são de planície (rios com “baixa queda” e baixa velocidade das águas). Isso inviabiliza qualquer possibilidade de se construir em território acreano uma hidrelétrica do porte da que será construída em Rondônia. O que pode ser feito aqui são pequenas barragens, nas comunidades mais isoladas, para que a energia produzida gera energia para 20 ou 30 famílias. Os embates em torno da concretização do Projeto Madeira guardam relação direta com outra realidade. Na hidrelétrica do Madeira projeta-se a geração de energia para fomentar o desenvolvimento econômico de toda uma região, não exclusivamente restrita a Rondônia.

A energia, nesse caso, é um insumo importante para a geração de empregos e para o desenvolvimento industrial. Como o Governo do Acre já construiu todos os elementos para atrair os investimentos externos para a Economia Florestal, crescer com o domínio de parte das decisões sobre o setor energético, a partir de agora, é uma questão estratégica.

Fieac e Acisa participam das discussões

Os presidentes da Associação Comercial do Acre (Acisa), Rubenir Guerra, e o presidente da Federação das Indústrias do Estado do Acre (Fieac), João Salomão, participaram do encontro com a diretoria da Furnas, ontem, no Palácio Rio Branco. “O comércio ganha com uma economia em que a energia é estratégica para o desenvolvimento porque onde há energia de sobra, há possibilidade de novos investimentos”, analisou Rubenir Guerra, presidente da Acisa.

Para João Salomão, as propostas colocam o Acre em um novo patamar de discussão nacional. “Se estamos discutindo energia, estamos contribuindo para o crescimento do Brasil e do Acre por conseqüência”. Os dois maiores representantes do setor privado do Estado foram unânimes em afirmar que o momento de “pensar as decisões é agora e o Acre não pode ficar de fora”.

 
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Rio Branco-AC, 7 de novembro de 2003
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