| OPINIÃO | ||
| OPINIÃO | ||
Raimundo Ferreira de Souza* |
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| O desequilíbrio
da globalização
Quando assistimos o presidente declarando, que “... o importante não é concordar ou discordar da ALCA, mas sim discutirmos a ALCA que nos interessa...”, ficamos meio confusos e perguntando sobre alguma carta que o mandatário possa ter escondida na manga, ou se existe uma vontade de ser auto-suficiente, maior que a realidade, ou ainda, se estamos tentando “abater a fera contando com munição dos vizinhos”, conforme afirma a palavra de ordem de qualquer manifestação popular “... unidos jamais serão vencidos”, no caso, países da América do Sul. Se, no sentido macro, a globalização implica, especialmente, concorrência de mercado e livre comércio entre países que já se encontram unidos na condição de negociadores intercontinentais (Nafta, Unidade Européia, Comunidade Econômica Independente [ex-URSS], entre outros), e sabendo ainda, que a exportação dos produtos de vanguarda tecnológica (microeletrônica, computadores, aeroespaciais, equipamentos de telecomunicações, máquinas e robôs, equipamentos científicos de precisão, medicina, biologia e químicos orgânicos), os EUA são responsáveis por 20,7,%; a Alemanha por 13,3%; o Japão por 12,6%; o Reino Unido por 6,2% e a França por 3%, ou seja, estes cinco países detêm 55,8% da exportação e vão continuar cada dia mais ricos, diante desse quadro, onde os países, considerados subdesenvolvidos, vão ficando cada dia mais fragilizados para concorrer nas mesmas condições de mercado, será que estamos com cacife suficiente para negociar e impor alguma condição frente à ALCA? Mesmo porque os países que atualmente são hegemônicos, nessa perspectiva de domínio global, conforme podemos constatar, jamais vão deixar de seguir seu curso natural, deixando enfraquecer suas lideranças conseguidas na disputa pelo domínio do mercado, na maioria, domínio de quatro séculos atrás, e dar lugar a novas formas e funções, fazendo com que novas instituições supranacionais gradativamente os substituam. Todo processo produtivo mundial é formado por um conjunto de 400 a 450 grandes cooperações (a maioria delas produtora de automóveis, ligada ao petróleo e às comunicações). Seus investimentos estão espalhados por cinco continentes, e mesmo depois de algumas descolonizações e desgastes com as duas guerras mundiais, ainda continuam obtendo os lucros que conquistaram no passado. A maior razão para isso é que detêm o monopólio da tecnologia e dos seus orçamentos, estatais e privados, dedicando imensas verbas para a ciência pura e aplicada. Esse domínio da tecnologia por um seleto grupo de países ricos abriu um fosso com os demais, possivelmente o mais profundo em toda a história, pois, mesmo Roma, na época, instituída império universal, era superior aos outros povos apenas na arte militar, na engenharia e no direito. Hoje, os países-núcleos da globalização, a exemplo dos integrantes do G-7, estão na frente, em qualquer campo do conhecimento, anos-luz dos países terceiro-mundistas. Diante dessa realidade, não serão a disposição, a coragem, a agressividade, a ousadia, entre outras qualidades, que possam ter governantes de algum país, ou mesmo representantes de blocos de países aqui do Sul, que vão atenuar esse abismo que se ampliou em relação aos ricos do Norte. Todavia, vale ressaltar que tais diferenças não devem resultar - ao menos até onde conseguimos entender - em um novo processo de espoliação como os já praticados anteriormente pelo colonialismo e pelo imperialismo, pois temos a esperança de que, por meio desse domínio de mercado, não se imponha a dominação política. Essa discussão, que certamente irá culminar na consolidação da ALCA, deve ser alvo de preocupação para países da América do Sul. A regras do livre comércio entre os países membros certamente não serão favoráveis à comercialização de produtos, especialmente produtos brasileiros, pois as grandes potências nunca vão estabelecer regras de comercialização que ponham em risco suas soberanias. O ideal seria que o Brasil pudesse influenciar e contribuir para a implementação de políticas favoráveis ao seu desenvolvimento, mas, devido ao fato de nos encontrarmos com poucos aliados para enfrentar esse debate, corremos grande risco de, mais uma vez, aceitarmos as regras do jogo das grandes potências. * Bibliotecário |
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