COLUNAS
   VIA PÚBLICA

Da Redação

 
O que pensa a oposição?

A Assembléia Legislativa, em boa hora, promove debates sobre o desenvolvimento do Acre, sobre o futuro do Estado. Técnicos do governo do Estado, do governo federal, de entidades do terceiro setor comparecem e apresentam suas propostas de forma clara e aberta. Mas falta um contraponto, falta o principal: se tem gente que condena o modelo proposto, se tem gente que critica as opções de desenvolvimento florestal, o que querem essas pessoas?

Em suma, qual é a proposta da oposição para o Acre? Qual é o modelo de desenvolvimento que eles desejam, que eles advogam, que eles implantariam se tivessem oportunidade?

Ao longo dos anos e dos governos de Arena, PMDB, PPB, essa dúvida nunca foi esclarecida. Nenhum político acreano desses partidos ou tendências apresentou um projeto claro para o Acre. Ficavam e ficam ainda no pequeno, no acessório, nas filigranas, e nunca adentram ao principal, ao cerne da questão.

As críticas ao modelo de desenvolvimento sustentável são feitas no varejo, eles são contra por serem contra. Ninguém conhece o que a oposição quer. O desafio deles seria vir a público com um modelo alternativo, mobilizando técnicos, assessores, apoiadores. Ser contra por ser contra é muito cômodo. Duro, difícil, é apresentar alternativas, isso a oposição não fez ainda e dificilmente fará.

O modelo de Rondônia

Geralmente a oposição, os que são contra o desenvolvimento sustentado, apresenta como modelo desejável o vizinho Estado de Rondônia, pintado como se fosse um paraíso. Mas a verdade é bem outra. Agora mesmo em Rondônia dois grandes conflitos mobilizam a opinião pública e são motivo de CPIs na Assembléia e do envio de observadores internacionais, de gente da ONU e da Anistia Internacional.

O primeiro é um novo massacre de camponeses, desta vez em Buritis, repetindo a tragédia de Corumbiara, anos atrás. O secretário de Segurança de Rondônia e deputado Paulo Morais lava as mãos, diz que a briga na região é por causa de terra e que por isso é competência do Incra. Se uma autoridade do Acre falasse coisa semelhante, seria crucificada em praça pública. A verdade é que pelo menos três pessoas morreram e mais de 15 estão desaparecidas na briga pela terra em Buritis.

Quem tem a força?

O prefeito César Messias disse em alto e bom som que quando foi para o PPS garantiram a ele que poderia fazer as coligações que quisesse, com quem quisesse, que ele comandaria o partido em Cruzeiro do Sul. Agora há uma tentativa de enquadrar o prefeito pela direção partidária, que mal conhece o Juruá. Seus líderes se perderiam nos bairros de Cruzeiro do Sul. Contestar agora a promessa feita a César Messias seria um jogo de traição política.

O perigo do garimpo

O segundo conflito em Rondônia é ainda mais sério. Mais de 30 corpos já foram resgatados do garimpo de diamantes da reserva dos índios Cinta Larga em Espigão do Oeste, à beira do rio Roosevelt. Pelo menos outro tanto de garimpeiros está desaparecido. Uma CPI esteve no local e ouviu relatos impressionantes. Índios estão sendo armados com metralhadoras pelos grupos que controlam o garimpo, alguns com forte influência do narcotráfico. Estima-se que mais de 1 bilhão de dólares de diamantes tenha sido contrabandeado para fora do país e a matança não pára.

Será este o modelo de desenvolvimento e progresso que queremos para o Acre?

 

 
© Copyright Página 20 todos os direitos reservados    -      Imprimir       -       TOPO
Rio Branco-AC, 7 de novembro de 2003
 COTIDIANO
 COLUNAS
 ENTREVISTA
 ESPECIAL
 ESPORTE
 POLÍTICA
 OPINIÃO
 VIA PÚBLICA
 EDIÇÕES
 EXPEDIENTE
 E-MAIL
 
   GIRO GERAL
Com Moisés Alencastro
   NA TRIBO
Com Roberta Lima
   PORONGA
Com Leonildo Rosas
   ANCELMO GÓIS
Com Ancelmo Góis
 
 
Google