COTIDIANO

Estudantes discutem poluição do São Francisco

Regiclay Saady
Iniciativa movimentou a
comunidade do São Francisco


Andréa Zílio

Preocupados com um possível futuro nada animador caso o cenário do último dia 25 de março se repita, quando o igarapé São Francisco transbordou causando uma enchente que deixou muitas casas alagadas, os estudantes da escola Berta Vieira realizaram um dia de atividades intitulado “Vamos discutir o igarapé São Francisco”. Conscientes de que um dos grandes problemas é o lixo, eles querem que a comunidade se volte para a questão e tente mudar o quadro.

Logo depois da enchente, estudantes da 1ª e 2ª séries do ensino médio ficaram surpresos com a quantidade de lixo que viram entulhado pelo bairro. O fato foi o assunto mais debatido nas salas de aula, mas dois alunos em especial - Nilcilene Gonçalves e Jarder Maciel, ambos de 17 anos e da 1ª série do ensino médio - tiveram a idéia de ampliar o leque de discussões, abrangendo toda a escola e a própria comunidade.

Os estudantes usaram como táticas para tornar o assunto atraente aos ouvidos e olhos das pessoas peças teatrais que abordam o assunto, cartazes, redações, maquetes, e até mesmo o lançamento do livro “A Degradação do Último Ecossistema”, do geógrafo Claudemir Carvalho. Com a proposta anunciada, as professoras Vânia Maria Sales, Rozilda Portela e Daniela Chaves, que é também coordenadora pedagógica, decidiram colocar em prática a idéia dos alunos.

A professora de geografia Vânia Sales diz que estava trabalhando em sala de aula a questão da construção do espaço geográfico e que logo depois houve a enchente e que não havia melhor momento para se levantar a discussão. “As causas da enchente foram questionadas e eles criaram uma conscientização e sentiram a necessidade de que algo fosse feito. Não poderíamos deixar essa sensibilidade morrer”, comenta.

Daniela completa dizendo que o mais interessante é a iniciativa dos estudantes de discutir os problemas do igarapé, e o que melhor, junto à comunidade. “Eles se esforçaram muito para fazer essas atividades. Além disso, mobilizaram outras turmas, como a 7a e 8a séries, que produziram as maquetes”, diz.

Conscientização estudantil

A aluna Nilcilene, que idealizou a atividade junto ao amigo Jarder, diz que a idéia é tornar a proposta parte das programações escolares do colégio Berta Vieira. “A alagação fez muito estrago a comunidade. Achamos que o maior problema foi a poluição”, diz a estudante. Jarder acredita que trabalhar a conscientização das pessoas é a melhor solução. “É inacreditável a quantidade de lixo que vimos aqui”.

A estudante da 8a série, que também decidiu participar da atividade, Luciana Silva, 15 anos, realizou junto aos amigos um trabalho de pesquisa na comunidade. Conta que a população reconhece que tem culpa, mas não muda as atitudes. “Fizemos redações e uma pesquisa com a população local. Eles sabem que tem sua parcela de culpa na poluição e problemas do rio, mas não fazem nada para mudar. É isso que temos de ensinar, não podemos deixar que o problema continue”, declara.

 

 
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Rio Branco-AC, 16 de maio de 2004
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