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Da Redação

 

Um Homem no Itamaraty

“Temos um Homem no Itamaraty.” Foi assim que a imprensa e a opinião pública registraram há mais de cem anos a ação do ministro do Exterior, o Juca Paranhos, Barão do Rio Branco, quando decidiu por pressionar a Bolívia para sentar à mesa de negociação com o Brasil para acertar a questão do Acre. O que passou para a História como uma manobra diplomática na verdade foi acompanhada de forte mobilização de tropas no Amazonas e no Mato Grosso, numa demonstração clara ao país vizinho de que o Brasil não abandonaria os mais de 60 mil nordestinos que defendiam o Acre com a própria vida.

Pressão militar de um lado, conhecimento, erudição e argumentos mesmo dentro da contestada tese do “Uti Possidetis”, o Barão do Rio Branco pôde completar a delicada logística que culminou com o Tratado de Petrópolis, cujo centenário se comemora amanhã.

É um dos maiores marcos da diplomacia brasileira, que deveria ser estudado em todas as aulas de História, em vez de ser um marco de pé de página, como ainda é hoje. A epopéia acreana é a mais completa mistura de heroísmo, idealismo, luta pela sobrevivência, combate ao nascente imperialismo norte-americano, conflito geopolítico e capacidade diplomática.

Conseguido o cessar-fogo no Acre, depois da vitória de Plácido de Castro, o Brasil, sem disparar um único tiro, incorporou 200.000 km quadrados de território, uma terra em que seus moradores escolheram livremente ser brasileiros. Uma terra que hoje orgulha seus filhos porque, na época, havia “um Homem no Itamaraty”.

Cem anos depois

O Acre, incorporado ao país da forma mais esdrúxula, com a criação de uma figura ímpar na Constituição, o Território Federal, copiada do exemplo norte-americano da expansão da Corrida do Ouro, por décadas foi como um filho enjeitado. Primeiro, um lugar que dava muito dinheiro e recebia um tímido retorno; depois, um pedaço pouco produtivo que continuava abandonado, governado por funcionários pouco capacitados, nomeados como prêmio de consolação pelo governo federal.

Sequer a autonomia política, fruto de longa batalha da população, conseguiu mudar esse quadro, especialmente porque logo veio o golpe militar de 64, que retirou todas as prerrogativas dos acreanos, como de todos os brasileiros.

Na verdade, somente agora o Acre encontra sua voz, seu rumo, sua posição no Brasil também em transformação. Mais que nunca, a vocação florestal, o compromisso com a natureza, com as tradições arraigadas em seu povo, são um lume para o futuro. Cem anos depois de Petrópolis, o Acre se reencontra consigo mesmo, em paz com seu destino.

Praga digital

A última geração de vírus e worms (um programa que faz cópias de si mesmo), além de afetar sistemas de redes de computadores tenciona também capturar números de cartões de crédito, contas e senhas bancárias. É o caso do vírus-worm Mimail, praga que surgiu em agosto e que agora, em sua versão L, está se espalhando rapidamente pela internet.

O Mimail.l despeja mensagens atribuídas à PayPal, empresa de pagamentos online, nas caixas de entrada de e-mails. O texto diz aos destinatários que suas contas expiraram e que eles precisam informar novamente os números de seus cartões de crédito por meio de um aplicativo em anexo.

Se o anexo for aberto, o worm exibe uma janelinha na área de trabalho com o logotipo da PayPal e um espaço para que sejam digitadas as informações solicitadas. Segundo a Sofos, fabricante de antivírus, os dados capturados são remetidos para quatro contas de e-mail de um provedor sediado na Checoslováquia. Daí para a frente já se sabe o que irá acontecer.

Maradona

O astro argentino Diego Maradona voltou a provocar polêmica. Ontem, em seu 3.º dia de visita a Pequim, em entrevista coletiva, disse que prefere ser amigo do líder cubano Fidel Castro a ser amigo do presidente americano George Bush, “que é um assassino”. “Estou orgulhoso de ser amigo de Fidel, que é inteligente.” O craque aproveitou a chance para voltar a cutucar Pelé e afirmou que há espaço para os dois no altar do futebol. “Pelé é o maior, mas Maradona é Deus”, declarou, com ironia.

Recuperação robusta

O Brasil deverá apresentar uma robusta recuperação do consumo no próximo ano, puxada inicialmente por uma reativação no crédito ao consumidor, mas que deverá se consolidar com a recuperação da massa salarial e um fortalecimento da confiança do consumidor. Segundo o estrategista para a América Latina do banco de investimentos norte-americano Merrill Lynch, Robert Berger, a recuperação do consumo será o mais importante tema para quem quiser investir no Brasil.

Ele recomenda que os investidores comprem papéis de empresas do varejo e dos bancos antes da recuperação. “Acreditamos que o mercado vai ser positivamente surpreendido pela força dos gastos com consumo”, afirma. Berger diz que os sinais de recuperação ainda são incipientes e mistos, mas a retomada mais forte se verifica nas vendas de veículos, que cresceram 2,5%, no primeiro sinal positivo do indicador em sete meses.

Caminhos

Desenvolvimento sustentado, resgate da florestania como uma filosofia de valorização das populações tradicionais, abertura para a tecnologia e uma forte preocupação social são marcas de um novo tempo para o Acre. Investimentos estão acontecendo, os caminhos vão sendo traçados, as realizações acontecem a cada minuto. O governo do Estado tem sabido, nos últimos cinco anos, ser o motor das mudanças, em completa sintonia com a população.

 

 
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Rio Branco-AC, 16 de novembro de 2003
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