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Mulheres são o esteio dos homens na floresta

 


A vida do homem brasileiro na floresta boliviana é dura, mas poderia ser pior se não contasse com o apoio constante das mulheres. Elas são mães, executam as tarefas domésticas e ajudam os maridos no corte de seringa e na coleta de castanha.

São mulheres como Jovelina, Mila e Laida Acosta, que acompanham os maridos na alegria e no sofrimento sempre com o sorriso estampado em seus rostos.

A importância delas nas vidas dos homens pode ser diagnóstica nas palavras de Evaldo dos Santos Mesquita, o Toquinho: “Se não fosse a minha mulher, eu estaria morto”.

Essas mulheres, que são capazes de dar suas vidas pelas dos maridos, têm representação em Jovelina Rodrigues Cavalcante, mulher do Bolo. Mãe de seis filhos, ela quebra castanha, caça, planta roçado, capina com enxada, pega na foice, corta madeira com machado e pretende cortar seringa a partir deste ano. “O preço da borracha está melhor”, comenta.

Jovelina tem 46 anos, está na Bolívia desde os nove anos. Ali, aprendeu que mulher extrativista tem uma vida completamente diferente da que mora na cidade.

Regiclay Saady 
Jovelina, na beira do fogão, prepara o alimento para
a família e é admirada até por amigas como Laída (abaixo)

Regiclay Saady

Na floresta, ela consegue quebrar 30 latas de castanha por dia, sem relaxar nos afazeres domésticas e ainda concilia o trabalho no extrativismo com a lavagem de roupa, limpeza da casa e preparo de alimentos.

A mulher não esconde a felicidade quando recebe visitas. Ela passa até oito meses sem sair da colocação para a cidade. É nesse distanciamento que bate a saudade.

Dos seis filhos de Jovelina, apenas um, Gilmar, de 11 anos, mora com ela. Os demais sairiam para estudar. Deixaram a casa quando completaram oito anos.

“Sofro muito. Todos os meus filhos tiveram que ir para as casas dos outros para estudar. A vantagem é que não serão analfabetos. Mas algumas das meninas viraram mulher antes do tempo”, lamenta.

Jovelina também reclama da exploração do proprietário do seringal, que põe o preço que quer na lata de castanha. Mas a reclamação esbarrar na constatação de que no Brasil a situação poderia ser pior, porque não há terra para eles morarem e produzirem.

“Terra no Brasil vale ouro e nós não temos ouro para comprar”.

Tanta dedicação e empenho de Jovelina tem admiradora entre as próprias amigas. “Ela trabalha igual a um homem”, admira-se a amiga Laida Acosta.

Iguais às outras, Laida não é de fugir da luta. Só não corta seringa, mas faz todos os outros trabalhos. Filha de um peruano com uma brasileira, ela nasceu na Bolívia. Casou-se a primeira vez aos 13 anos. Aos 14 anos teve o primeiro dos 10 filhos.

O atual esposo de Laida, conhecido por Cabeça, é 20 anos mais novo. Sua bebida preferida é o álcool. Mesmo reclamando da situação, ela diz: “O melhor lugar para se morar é na Bolívia. Aqui a gente chega apenas com os cacarecos na cabeça e se instala. No Brasil isso é impossível. Quando chegaram as noticias de que seríamos expulsos, meu marido quis ir embora. Só corro daqui quando eu ver o bicho na minha frente”.

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Rio Branco-AC, 17 de setembro de 2006
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