| VARIEDADES | |
| João do Bandolim e os
“Odeons” Músico conta história de um sonho que surgiu no Ceará, foi boicotado no Rio Grande do Sul e que do Acre não sai |
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“Odeon” é uma palavra derivada do grego “odeion”, que denominava, na Grécia antiga, um edifício para exercícios de canto, onde poetas e músicos se encontravam para as audições, espetáculos teatrais, atos de variedades. Hoje, Odeon denomina um importante grupo de chorinho de Rio Branco, e que possui uma história iniciada em Fortaleza, no Ceará. “Quando crescer, vou ter um grupo igual a esse”, dizia consigo João Pereira Aguiar, quando criança, ao ver as apresentações da banda Odeon naquela cidade nordestina. E foi com 50 anos de idade, que este músico conhecido hoje como João do Bandolim, fundou em Porto Velho (RO), um grupo de mesmo estilo musical e de nome igual ao daquele que tanto o inspirou. “Um grupo de chorinho era o que faltava naquela cidade de Rondônia”, lembra o músico. Em 1990, uma segunda esposa trouxe João para o Acre, e não demorou muito para ele se inserir no meio musical rio-branquense. “Procurei me estabelecer trabalhando com reformas de auto-falante. Mas logo fui conhecendo outros músicos, afinal, músico é doente para ver os outros tocarem. E foi assistindo aos shows de outros artistas que comecei a conhecer músicos e a formar grupo. Em pouco tempo já estávamos tocando em vários lugares”, explica o cearense, contando a história do grupo Odeon de Rio Branco. O de Fortaleza ele já não tem mais noticia, o de Porto Velho ele sabe que mudaram o nome - mas não tem conhecimento de qual -, no entanto, dos dois grupos ele guarda boas lembranças e admirações. Odeon de Rio Branco O grupo Odeon, de Rio Branco, surgiu em 1995. Além de chorinho, o grupo formado por integrantes da banda Hélio Melo e João do Bandolim, também toca frevo, tango, bolero e afins. A diferença de idade entre os integrantes é um fato que chama muita atenção de quem assiste o grupo, com faixa etária que varia entre 18 a 70 anos. “Essa diferença não influi em nada, o importante é tocar bem, não importa a idade. O que eu exijo é responsabilidade com horários, com os serviços e ter o conhecimento da música”, conta Pereira. O grupo já se apresentou no Juventus, Tentamen, além de várias festas e clubes. Na última sexta-feira, o grupo se apresentou, pela primeira vez, no projeto “Alegria tá na rua”, realizado pela Prefeitura de Rio Branco, via Fundação Garibaldi Brasil. O show aconteceu ás 21horas, na Rodoviária, Bairro Cidade Nova. Ironia do destino Em 2000, João do Bandolim gravou um CD em Porto Alegre (RS). Na primeira tiragem, o CD era intitulado “João do Bandolim – Forró para Berenice”. Era uma carinhosa homenagem que João fazia a sua esposa. No entanto, o músico acabou sendo boicotado. “Existia uma Berenice muito famosa, uma das melhores musicistas do Rio Grande do Sul, eu nunca a conheci, só depois soube da história. Berenice fez algumas coisas erradas e sua fama tomou um caminho ruim, passaram a boicotá-la, os gaúchos não gostam dela e achavam que o meu CD tinha alguma ligação e por isso não compravam”, explica. Na segunda tiragem, atendendo sugestões da gravadora, o músico mudou o nome do CD para “João do Bandolim – Ironia do Destino”, título também de umas das 12 faixas do CD. “Realmente, o CD acabou vendendo mais”, diz ele. O músico conta que ainda recebe vários convites para gravar em Porto Alegre, mas nenhum lhe atrai muito. “O nosso estilo no Acre possui influências nordestinas. Lá em Porto Alegre é o vaneirão, eles sempre puxam a nossa música para aquele estilo, por isso eu não aceito mais convites deles, quem sabe, posso ir gravar em Porto Velho ou Fortaleza, mas para Porto Alegre eu não vou mais. Na verdade, quero ficar por aqui mesmo”, revela o músico. |
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