PÁGINA DO EMPREENDEDOR

A arte de fazer farinha

Mulheres do São João do Itu participam de cursos e aprendem a fazer novos produtos da mandioca


Juracy Xangai

Beijus amarelos, rosa ou natural, com e sem açúcar, farinha de tapioca e uma farinha de mandioca que já faz fama no mercado são alguns dos diversos produtos “recriados” pelas farinheiras do São João do Itu e que já não dão conta de atender às encomendas.

O aprendizado acontece através do projeto Terra Sol executado pelo Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) com financiamento do Instituto Nacional de Reforma Agrária (Incra). Em parceria com a Seater e Embrapa apoiados pela prefeitura de Capixaba profissionalizam os produtores rurais para que transformem suas propriedades em pequenas empresas produtivas.

Deusdina dos Santos Melo, 46, mãe de sete filhos e moradora da colônia Bom Jesus, no ramal São João do Itu, e que sempre viveu no antigo seringal, não é capaz de dizer quando participou da primeira farinhada. “Acho que nasci fazendo farinha, beiju e pé-de-moleque. Sabe como é, né? Na colônia a gente trabalha a vida inteira, mas farinha boa assim eu só vim aprender agora com a dona Joana, da Embrapa.”

A produtora é apenas uma entre as mais de 250 famílias que estão recebendo orientação empresarial e profissionalizante para conseguir maior eficiência na produção e na administração de suas propriedades. No caso da casa de farinha construída no São João do Itu pelo projeto Terra Sol, dez famílias estão sendo beneficiadas.

“O pessoal sempre gostou dos meus beijus, mas eu nunca tinha pensado em colorir a massa e cortar eles desse jeito que facilita pras pessoas comerem. Também melhoramos a qualidade da massa seca de mandioca, com ela a gente prepara mingau pras crianças, bodós, bolos e biscoitos que são daqui ó”, mas a satisfação de Deusdina não se limita à qualidade de seus produtos ou ao fato de ter finalmente, aprendido a fazer farinha de tapioca, como esclarece: “Nossa farinha agora e está muito melhor, mas o mais importante mesmo é que na semana passada levei 130 quilos ao Quinari e vendi tudo a R$ 1,30 pra um só freguês. Importante mesmo é o dinheiro no bolso”.

Os cursos e o estímulo às atividades cooperativas e empreendedoras já começam a surtir resultados. “Hoje nós estamos nos organizando para produzir mais e até já estamos pensando em conseguir um lugar em Rio Branco onde a gente possa oferecer nossos produtos para vender no atacado e no varejo.”

Mamoeiro de ouro

Agricultora dá exemplo do quanto indústria caseira pode agregar valor aos frutos regionais

Juracy Xangai

Quem não com conhece aquela história dos jovens patinhos que foram fazer um extenso curso de pilotagem onde aprenderam a voar com as mais modernas técnicas. Já formados, puseram a mochila nas costas e voltaram caminhando para casa, tal qual, haviam chegado. De que valeu fazer o curso e adquirir novos conhecimentos que não foram postos em prática?

Essa pergunta foi respondida com trabalho pela agricultora Maria das Graças Santos da Silva, 51 anos, mãe de cinco filhos e moradora da colônia Santa Maria que está localizada no ramal Antônio Costa, 209 no projeto de colonização Alcoobrás, em Capixaba.

“Quando participei do curso para a produção de compotas, geléias e bom-bons de frutas regionais oferecido pelo Sebrae nos Eventos de Capacitação em Campo, nos disseram que poderíamos tirar de R$ 100 a R$ 200 fazendo doces com os frutos de um único pé de mamão. Não acreditei, então fiz a experiência e faturei mais de R$ 500 com um único pé de mamão. Agora entendo que se a gente valorizar o que aprendemos isso pode modificar a nossa vida para melhor”, afirmou taxativamente.

Utilizando frutos colhidos em sua colônia e vizinhança, Graça, como é mais conhecida, a agricultora divide seu tempo de trabalho no roçado, curral e nos cuidados da casa com a fabricação de geléias e compotas de mamão, abacaxi, caju, goiaba, banana, cupuaçu, além de frutos de palmeiras como o açaí, o buriti, patoá e bacaba. Os mesmos frutos ganham ainda mais nobreza quando transformados em bom-bons regionais recobertos com chocolate pra gosto da freguesia.

“Toda fruta regional dá doces que fazem sucesso em qualquer lugar. No mês de abril, fui participar da Feira Nacional da Economia Solidária realizada na Bienal do Ibirapueira, em São Paulo e levei tudo o que pude fazer aqui com minhas amigas, não deu pra quem quis, fiquei sem um bom-bom no segundo dia da feira. Foi um espanto”.

Maria é uma das integrantes do Grupo de Mulheres Unidas que funciona junto à Associação Baixa Verde no Projeto de Colonização Alcoobrás, as quais estão lutando para realizar um sonho. “Queremos montar uma fábrica de doces caseiros para beneficiar as frutas aqui do projeto. Sei que com isso vamos valorizar a produção local e o Acre não vai ter de continuar comprando praticamente tudo de fora. Mas a gente precisa de ajuda para realizar logo este sonho”.

Outro exemplo prático do retorno financeiro alcançado com o beneficiamento dos produtos regionais na própria colônia é demonstrado pela agricultora que costuma levar tudo na ponta do lápis. “Com dez litros de leite e três quilos de açúcar a gente faz uma média de cinco quilos de doce que depois de vendido rende um apurado de pelo menos R$ 50. Depois que aprendi a fazer doce, nunca mais faltou rancho lá em casa”.

 

 

E x p e d i e n t e :
Textos publicados nesta página são de responsabilidade da Unidade de Comunicação e Marketing do Sebrae no Acre - Jornalista Responsável: Vanessa França (Registro Profissional: 3280 L-14F-89 DRT/PE) vanessa@ac.sebrae.com.br - fotos: Evandro Souza e Claudwilson Diogenes. Colaboradores: Juracy Xangai e Sandra Assunção. Sugestões, comentários e-mail para ascom@ac.sebrae.com.br

 

 
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Rio Branco-AC, 18 de dezembro de 2005
   GIRO GERAL
Com Moisés Alencastro
   NA TRIBO
Com Roberta Lima
   PORONGA
Com Leonildo Rosas
 
 
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