COTIDIANO

Produzir é preciso

Agricultores estão sendo preparados para aprender a produzir as hortaliças mais consumidas no Acre

 

Juracy Xangai

Cenoura, beterraba, tomate, repolho e pimentão estão entre as principais hortaliças importadas pelos supermercados acreanos. Isso é feito com alto custo desde Estados do Centro-Sul do país, por isso a nova estratégia é produzi-los aqui melhorando a renda de 70 produtores de Rio Branco e Bujari, barateando o preço desses alimentos para os consumidores.
Para isso, 36 profissionais, entre eles agrônomos, técnicos em agropecuária, comerciantes de produtos agropecuários e cinco concludentes do curso de agronomia que atuam nos municípios de Rio Branco, Bujari, Brasiléia, Cruzeiro do Sul, Mâncio Lima, Xapuri, Mâncio Lima e Porto Acre, estão participando de 24 a 27 deste mês do curso técnico de horticultura, como parte do Programa Estadual de Fortalecimento da Agricultura Familiar.

O curso acontece graças à união de esforços do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae-Ac) que está oferecendo treinamento empreendedor aos técnicos e produtores, com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) oferecendo orientação tecnológica, Serviço Nacional de Aprendizado Rural (Senar) com treinamentos práticos e o governo do Estado representado pela Seaprof que garantirá assistência técnica, além das prefeituras de Rio Branco e Bujari representadas por suas secretarias municipais de agricultura. Também participam desta parceria a Associação Acreana de Supermercados e associações de horticultores.
O curso está sendo ministrado pelos pesquisadores da Embrapa Hortaliças de Campinas em São Paulo, Nozumo Makashima e Waldir Aparecido Mourelli. Makashima orienta sobre as técnicas de plantio e manejo das hortas, já Waldir ensinará técnicas mais adequadas para o uso da irrigação na horta.

Francinei Santos o gestor do Projeto de Fortalecimento da Acricultura Familiar pelo Sebrae-Ac lembra que este trabalho começou a ser estruturado a partir de agosto de 2007 quando procurados pela Associação Acreana de Supermercados propondo que fosse estimulada a produção das principais hortaliças importadas de outros estados.

“A proposta nos fez realizar pesquisa para determinar quais as hortaliças eram mais consumidas e qual o volume da importação delas. A beterraba, cenoura, pimentão, tomate e repolho foram as principais, por isso este curso tem como objetivo principal diversificar a produção destas hortaliças oferecendo uma nova alternativa de renda aos produtores e alimentos mais baratos para a população”, explicou Francinei lembrando que os supermercados se comprometeram a comprar o resultado dessa produção desde que ela seja feita com qualidade e regularidade no fornecimento.

Para isto, além da assistência técnica o governo do Estado estará oferecendo sete mini-tratores Tobata para mecanizar os canteiros, as prefeituras e Seaprof vão oferecer mecanização, insumos e apoio técnico. A Ufac vai construir oito casas de vegetação e o Sebrae outras 16 que juntas beneficiarão oito comunidades, sendo seis delas em Rio Branco e duas no Bujari.

Cada casa de vegetação terá 25 metros de comprimento por sete de largura e dois metros e 10 centímetros de altura, todas cobertas com filme plástico e com equipamento de irrigação por gotejamento ou micro-aspersão instalados conforme o tipo de cultura pretendida pelos agricultores.

As comunidades beneficiadas em Rio Branco serão os pólos hortigranjeiros do Benfica, Custódio Freire, Geraldo Mesquita, Geraldo Fleming, Hélio Pimenta e Wilson Pinheiro. No Bujari serão os Quintais Florestais e o pólo Dom Moacir. Seus produtores começam a receber treinamento prático em curso que será iniciado pelos técnicos já na próxima segunda-feira.
Suor e dedicação

O pesquisador Nozumo Makishima que neste ano foi homenageado com o prêmio Frederico Veiga de Menezes concedido pela Embrapa aos que contribuem efetivamente para o desenvolvimento científico e tecnológico do país esclarece que: “Na horticultura não existem receitas prontas e muito menos soluções mágicas, tudo é conquistado com muito esforço e dedicação porque cada caso é um caso, a mesma lavoura apresenta diferentes comportamentos e necessidades de acordo com as mudanças no clima, deficiência ou presença de pragas. Por isso, é preciso usar o bom senso para adaptar as técnicas às necessidades ou possibilidades, especialmente em regiões como esta onde estas culturas estão sendo implantadas”.

Ele lembra que tudo o que é vivo necessita de condições climáticas e nutricionais e cuidados para produzir bem. “Há alfaces que produzem bem no inverno e outras no verão, a mesma variedade sendo cultivada em diferentes épocas do ano exigem cuidados diferenciados para que ofereçam uma boa produção”.

Nozumo alertou para que o uso da horticultura protegida em casas de vegetação é uma tendência da horticultura mesmo em países com grande extensão de terras férteis como o Brasil. “O país é grande, mas a população está cada vez mais concentrada nas cidades e como hortaliças não suportam viagens muito distantes, é necessário produzi-las o mais perto possível. Como nem todo solo é próprio para isso, precisamos criar ambientes artificiais onde ao invés de solo usamos substratos como fibra de coco ou palha de arroz queimada como substrato para substituir o uso do solo no cultivo das hortaliças”.

Então adverte: “Produzir hortaliças na região norte ainda é um desafio porque não conhecemos as variedades que melhor se adaptem ao seu solo, clima e luminosidade, então isto exigirá muita experimentação por parte da Ufac e da Embrapa, além de suor e dedicação dos agricultores”.

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Rio Branco-AC, 26 de junho de 2008
   GIRO GERAL
Com Moisés Alencastro
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Com Roberta Lima
   PORONGA
Com Leonildo Rosas
 
 
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