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Estatuto do Idoso sugere reflexão e cobra o respeito à terceira idade |
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A falta de respeito para com os idosos brasileiros já gerou muitas denúncias na imprensa e ainda envergonha os olhos do mundo, quando se trata do abandono da família, a discriminação no mercado de trabalho, filas na previdência e maus tratos em geral. Para inverter esse quadro, o presidente da república, Luiz Inácio Lula da Silva sancionou no dia 1o de outubro de 2003 O Estatuto do Idoso, que chama a atenção da sociedade para os direitos dos mesmos. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), em 2025 o Brasil será o sexto país do mundo com maior número de idosos. O documento é uma resposta aos anseios da sociedade e demonstra o propósito do atual governo em tratar com dignidade a questão da terceira idade. No Acre, as regras do Estatuto ainda são desconhecidas da maioria da população, mas começam a ser obedecidas por entidades e empresas de serviços. Nos ônibus, por exemplo, as empresas reservaram o espaço para os idosos, mas são as crianças e pessoas com menos de 60 anos que ocupam as cadeiras, enquanto os velhos ficam de pé. A responsável pela aplicação da lei no setor é a Rbtrans, que segundo seu superintendente Marco Antonio Rodrigues está aberta a ouvir as denúncias e fazer valer as regras. A sociedade precisa rever seus valores sobre a velhice “O liberalismo e a globalização valorizam o que pode produzir e passam os idosos para uma segunda categoria. No entanto, os jovens de hoje devem considerar as várias fases da existência, inclusive a velhice para que haja mais respeito à vida como um todo”, lembrou o padre André Ficarelli. A promotora especializada de Defesa da Cidadania e Saúde Pública, Gilceli Evangelista de Souza garante que as regras do Estatuto estão sendo absorvidas, baseada no grande número de denúncias que chega ao setor. “A Promotoria se surpreendeu com a demanda de pedidos e denúncias. Já abrimos procedimentos administrativos com relação a maus tratos cometidos por filhos que abandonam os pais”, acrescentou. Segundo ela, a Promotoria vai fazer valer a lei, principalmente em relação ao Capítulo IX, artigo 37, que diz o seguinte: “O idoso tem direito a moradia digna, no seio da família natural ou substituta, ou desacompanhado de seus familiares, quando assim o desejar, ou, ainda, em instituição pública ou privada. “No caso das pessoas que foram abandonadas nos asilos, os familiares serão acionadas para assumirem a guarda dos mesmos”, explicou Gilceli. Solidão e ociosidade marcam a rotina dos asilos Na semana passada a Imprensa nacional mostrou as lágrimas de um idoso que chorava com saudades de casa e que perdeu as contas de quanto tempo ficou preso em um asilo. No Acre, a situação não é muito diferente. Os idosos que se abrigam no Lar dos Vicentinos – único asilo no Estado, em maioria também perdeu a noção do tempo e divide o espaço ocioso entre uma lembrança e outra dos idos da juventude. O baiano Filadéfio Ribeiro, 66, está no abrigo há quatro anos e conta que foi peão de fazenda. Sem aposentadoria, ele é mais um dos dependem da solidariedade de terceiros que fazem a manutenção do Lar dos Vicentinos. Luiz Leal de Menezes, 63, foi trazido de Boca do Acre pela família há mais de um ano, mas garante que recebe a visita da mesma mensalmente. Já o matogrossense Manoel James, 90, fala com dificuldade e foi levado para o lar por uma pessoa que o encontrou na rua. Ele conta que foi vaqueiro mas não lembra a idade. Quando perguntado Menezes, relembra a data de 1914. Atualmente o Lar dos Vicentinos abriga 31 internos vindos de várias cidades do país, incluindo alguns soldados da borracha que estão na casa desde 1940. Segundo o administrador do setor, Carlos Alberto, a instituição recebe a ajuda a financeira do Estado, o que possibilita a sua manutenção. “O governador Jorge Viana tem sido um pai para esses velhinos” acrescentou. O abrigo também recebe doações da iniciativa provada e outros órgãos. A Casa permanece aberta para os que desejem visitar ou internos. |
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