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Dom Giocondo: bispo foi o último a entrar no avião |
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Na hora marcada para o regresso, o religioso recusou o convite para retornar com a comitiva governamental. Queria permanecer três dias na cidade, a fim de atender a população e tratar de assuntos da igreja. No dia acidente, o avião fez duas viagens naquele trecho. Como havia festejo em Cruzeiro do Sul, que também completava 67 anos, e em Sena Madureira, a companhia disponibilizou um vôo extra. Dom Giocondo tinha vaga garantida no primeiro vôo, mas cedeu a um senhor que estava com a filha muito doente e precisava vir urgente para Rio Branco. No vôo seguinte, a situação foi inversa. Ele veio porque um outro passageiros lhe cedeu o lugar. Foi o último a embarcar. Dom Giocondo tinha 43 anos de idade quando morreu. Era italiano de Pieve di Budrio (Bologna) e chegou ao Acre no dia 21 de agosto de 1965. Membro de uma família muito religiosa, entrou na Congregação Servos de Maria, onde estudou até se tornar sacerdote. Ele estudou filosofia e teologia. Foi ordenado em Roma. Ainda muito jovem, veio para o Brasil, em 1950. Com ele, vieram os atuais padres de Sena Madureira, Heitor Turrini e Paolino Baldassari. No Brasil, Dom Giocondo ficou em São Paulo, onde foi superior provincial da Ordem dos Servos de Maria. Com a morte do bispo da Prelazia Acre e Purus, Dom Júlio Mattioli, em 1962, veio ser bispo prelado, sendo consagrado bispo no dia 22 de agosto de 1965. “Ele era um homem bastante entusiasmado e gostava de estar junto do povo”, comenta o padre André Ficarelli. Segundo padre André, o bispo, ao chegar no Acre, começou a perceber que havia muita desigualdade social e que a igreja poderia contribuir para modificar a situação. Uma forma encontrada pelo bispo para contribuir foi estudar Direito. Ele queria advogar para os mais humildes. Foi um dos fundadores da Faculdade no Acre, chegando a professor. Padre André Ficarelli comenta que essa identificação com o povo fazia com as pessoas visitassem o bispo diariamente para pedir conselho. Entre essas pessoas o jovem José Augusto de Araújo, primeiro governador constitucionalmente eleito no Acre. “Ambos gostavam do povo”. Outra iniciativa do religioso foi a criação do Hospital Santa Juliana e da Colônia Souza Araújo, em 1968. Para concretizar a idéia, ele fez campanha na Europa e conseguiu recursos. A área onde até hoje funciona a colônia foi doada por Amadeu Barbosa. O corpo de Dom Giocondo foi identificado porque tinha uma cruz no peito. Os restos mortais foram enterrado na Catedral Nossa Senhora de Nazaré, junto ao do primeiro bispo do Acre, Próspero Bernadi, e de Dom Júlio Mattioli. “Desde então, tem sempre pedindo e recebendo graça dele. Dom Giocondo deixou para a população pobre uma lição de vida”, acredita Padre André. Memorial – Anualmente, sempre no dia 28 de setembro, é celebrada uma missa no local da tragédia. Na maioria das vezes, o celebrante é o padre Paolino Baldassari. No local foi erguido um memorial com peças que restaram do avião em homenagem às vitimas. Ao local deram o nome de Dom Giocondo. Mas a homenagem ficou apenas na intenção. Até o nome do bispo foi escrito de forma errada. Foi grafado dessa forma: “Capela Memorial Dom Jocundo”. O aspecto de abandonou não se restringe à inscrição. A maioria das peças do avião foi roubada por ferreiros de Boca do Acre, que vinham do município amazonense para a ferragem para vender. Essa garimpagem foi freada a pedido do Padre Paolino, que pediu ao casal que impedisse o roubo. “Quase apanhei”, revela dona Angelina. Hoje, ainda resta parte da calda do avião, que serve como cobertura do memorial; o três de pouso; que é utilizado como altar; e um velho motor. Apesar de tantos anos, não foi construída uma capela no local, como fora prometido. Dona Angelina fez um abaixo-assinado com 39 assinaturas para que isso acontecesse, mas não obteve resposta. Enquanto limpa o local para a realização da missa, seo Paulo comenta: “Acho que este ano não dará muita gente aqui. É que está acontecendo muita festa na cidade”.
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