| COTIDIANO | |
Um sonho concretizado Tradição iniciada no Sul do país é continuada pela terceira geração no Acre na Fábrica de Carrocerias Paraná |
|
|
Foram necessários 20 anos de trabalho e persistência para que o paranaense Vilson Néri Wendland realizasse seu sonho concretizado na manhã de ontem com a inauguração das novas instalações da Fábrica de Carrocerias Paraná no novo Distrito Industrial junto à BR-364. A arte de fazer carrocerias foi aprendida com seu pai que já tinha uma indústria na cidade de Cascavel, já o filho mais velho de Vilson dá continuidade à tradição no comando da próxima geração. Em agosto de 1986, Vilson veio conhecer o Acre, gostou da região, acreditou no seu potencial e procurou a antiga Companhia de Desenvolvimento Industrial do Acre (Codisacre), da qual, recebeu promessa de um terreno para instalar sua fábrica de carrocerias. No dia 15 de novembro de 1986 ele chegava a Rio Branco com as máquinas e ferramentas da fábrica em cima do caminhão e a família na boléia, mas os diretores da Condisacre já haviam dado seu terreno para outra pessoa que nunca realizou obra alguma. Decidido a ficar no Acre, ainda na beira da rua ele discutia o problema com a esposa na beira da rua quando passou uma mulher, também do Paraná, que ouviu a conversa e disse que um sobrinho seu, o fotógrafo Edson Caetano tinha um terreno que poderia alugar a eles por algum tempo. Parceria na alegria e na tristeza “Como o governo da época não cumpriu sua promessa, nós ficamos no meio da rua com a mudança em cima do caminhão. Não desistimos, demos nosso jeito e resolvemos o problema instalando tudo num terreno do Edson lá no Conjunto Esperança. Havia tanta lama que a gente tinha de colocar corrente nas rodas de nosso chevete para andar nas ruas do bairro”, recorda Lina Stela Avalos Wendland, esposa e companheira de todas as horas de Vilson. Ali ficaram até 1990 quando se instalaram na Estrada de Porto Acre, ao lado do Café Contry. Difícil começo Havia muita madeira e muita carroceria por fazer, mas não haviam profissionais que conhecem o ofício, Néri e Lina mais Valmor, um irmão de seu marido, trabalhavam com dois funcionários que tinham vindo junto com eles do Paraná. “A gente resistiu a todas as dificuldades, mas os dois funcionários não se deram bem com o calor e voltaram para o Paraná. Então tivemos de treinar cada um dos 20 que hoje trabalham com a gente”. Néri tratava dos negócios e, durante as viagens quem cuidava da fábrica era Lina que com isso se viu obrigada a aprender todo o funcionamento da fábrica, desde a contabilidade até medidas de parafuso e marcenaria para a preparação das peças de madeira que compõem as carrocerias. Apesar das dificuldades enfrentadas, ela se diz feliz com os resultados: “Meu marido sempre trabalhou demais e demonstrou muito amor à família. De minha parte, sempre apoiei as idéias dele e acho que isso foi muito importante para nosso sucesso”. Néri fez questão de agradecer publicamente o apoio recebido da esposa e lembrou-se que quando ela adoeceu ele resolveu ir embora do Acre para Campo Grande no Mato Grosso onde comprou até terreno para transferir a fábrica. “Aqui não havia recursos para cuidar dela e eu comentei minha intenção com o Jorge Viana que na época era prefeito, ele pediu pra que eu não fosse embora porque éramos a única fábrica de carrocerias do Acre, que quando fosse governador ele iria nos ajudar. Cumpriu a promessa reservando pra gente um dos melhores terrenos do novo Distrito Industrial bem na beira da BR-364, do jeito que a gente sempre sonhou”. Salvando vidas Aldo Martins da Costa, hoje com 36 anos e dois filhos, tinha 21 anos quando conseguiu o primeiro emprego de sua vida na Fábrica de Carrocerias Paraná. “Eu sempre fui curioso e aprendia as coisas com facilidade, mas nunca tinha tido oportunidade de mostrar isso. Nunca tinha trabalhado com madeira e seis meses depois que entrei na fábrica já dava conta de montar uma carroceria inteira, fiz disso minha profissão e hoje, 15 anos depois sou responsável pela linha de produção e montagem da fábrica”. Aldo não esconde sua emoção e agradecimento a Neri para o que ele considera mais que um emprego. “Eu ganhei uma oportunidade que não sei nem como agradecer. Na época bebia muito, aprontava de tudo e andava muito mal acompanhado, hoje tenho minha casa, esposa, filhos e uma profissão, se não fosse isso, tinha me marginalizado daí só Deus sabe o que teria acontecido”. Acreditando no Acre A inauguração das novas instalações da Fábrica de Carrocerias Paraná foi prestigiada pelo vice-prefeito, Eduardo Farias, o secretário Estadual de Planejamento, Gilberto Siqueira, além do presidente da Federação das Industrias, João Salomão. Gilberto Siqueira enfatizou a história de vida de Néri e sua ousadia enfrentando todas as dificuldades mais a falta de apoio dos governos da época para instalar seu negócio no Acre. “Neri é uma testemunha concreta do bom momento que o Acre vive hoje com um governo que apóia os empreendedores que trabalham pelo desenvolvimento do Estado. A inauguração desta indústria e de outras tantas que estão sendo construídas mostram que nós estamos no caminho certo”. Já o vice-prefeito Eduardo Farias preferiu elogiar o espírito empreendedor do proprietário da Fábrica der Carrocerias Paraná, familiares e amigos que integram a equipe. “Indústrias como esta consolidam a proposta da florestania de transformar nossos recursos naturais fonte de desenvolvimento rural sustentável. Assim estaremos agregando valor à matéria prima além de gerar emprego e renda no campo direto e indireto. Agem assim pessoas como Néri que investiram aqui todo o dinheiro que tem porque acreditam no Acre e sabem que estamos crescendo mais que qualquer outro Estado do Brasil”. |
|
|
|
| COTIDIANO |
| COLUNAS |
| EDITORIAL |
| ENTREVISTA |
| ESPECIAL |
| ESPORTE |
| POLÍTICA |
| OPINIÃO |
| VIA PÚBLICA |
| VARIEDADES |
| EDIÇÕES |
| EXPEDIENTE |
| GIRO GERAL |
| Com Moisés Alencastro |
| NA TRIBO |
| Com Roberta Lima |
| PORONGA |
| Da Redação |
| |